terça-feira, 29 de maio de 2018

A COMUNICAÇÃO DEFICIENTE ENTRE PREFEITOS E CONTRIBUINTES


O gestor municipal enfrenta dificuldades na gestão da dívida ativa, que são valores não pagos pelo contribuinte a título de IPTU e ISS. Grande parte dessa acumulação de valores, que atinge somas estratosféricas, é fruto da comunicação deficiente entre gestores (prefeitos) e a população (contribuintes).

Essa falha é fruto de inúmeros fatores. Estudos apontam que as prefeituras conseguem receber em torno de 13% dos valores devidos pelos contribuintes. Assim, mais de 86% não são pagos por quem deve.

Esse valor é fruto de falta de empenho e trabalho.

O principal, por incrível que pareça, é que o gestor municipal não sabe quem lhe deve impostos e quanto tem que ser pago. Isso mesmo! O gestor não sabe quem são os contribuintes de IPTU e ISS.

Os cadastros estão defasados.

O contribuinte recebe o imóvel, a título de herança ou compra e não atualiza os cadastros municipais.

Além disso, não há políticas públicas para a cobrança. Quando há, ela é ineficiente.

E existem hoje, mecanismos modernos de melhoria da arrecadação.

Mas listemos os maiores causadores da inadimplência:

a) Cadastro deficitário.
b) Ineficiência na cobrança (incapacidade de gestão, softwares ruins, despreparo das equipes e falta de empenho da gestão, que não cobra para não obter desgaste político).
c) Dependência dos repasses federais e estaduais.
d) Comunicação ineficiente entre gestor e contribuintes.

Neste texto vamos analisar a questão da comunicação.

A comunicação ineficiente dá ao contribuinte a sensação de que o gestor não aplica corretamente o que arrecada. Que o imposto pago não garante retorno em obras, manutenção de escolas, hospitais, postos de saúde, infraestrutura e melhorias nas políticas públicas.

Estou falando do Índice de Retorno e Bem Estar da Sociedade, medido com base nos informes do IDH brasileiro. Nele estamos em 30º lugar entre os demais países. Atrás de nações como a vizinha Argentina (19º lugar) e a enrolada Grécia (16º lugar) e o também vizinho Uruguai (11º lugar).

Em contrapartida temos a 14º maior carga tributária mundial. Pagamos mais impostos que a Argentina (20º lugar), Estados Unidos (29º lugar) e o próprio Uruguai (29º).

Onde falha a comunicação?

Redes sociais subutilizadas, desvalorizadas pelo gestor, que não "perde" tempo falando a linguagem de cada rede, levando os informes eficientemente à população, pois quem não tem rede social, é influenciado, de alguma maneira, por ela.

As prefeituras, erroneamente, usam as mesmas postagens para redes como o Facebook, o Instagram e até o Twitter, quando na verdade, cada rede tem sua linguagem e sua própria maneira de falar.

Os canais de transparência não geram atração ao contribuinte. Esse é feito apenas para "cumprir a lei", enquanto na verdade deveria ser atrativo, com informes e destaques para a aplicação dos recursos. Os portais apresentam planilhas, tabelas e informes que a grande maioria não consegue decifrar. O gestor precisa atrair o contribuinte para esses canais e torná-los, acima de tudo, fáceis de manusear e traduzidos para a linguagem acessível a todos.

O gestor não sabe enfrentar adversidades. O conceito de resposta, atendimento ao contribuinte, teria que seguir os mesmos preceitos das grande empresas privadas. Primeiro deve aprender que críticas geralmente são fruto de desinformação, nem sempre é má fé ou problema político. Saber conviver com as críticas dos jornais é importante em tempo de comunicação rápida.

Se o gestor não aprender, vai apanhar, colhendo os frutos desse desgaste. Hoje quem manda é o contribuinte, não há como enganá-lo, nem trapacear a informação que está acessível a todos. Conviver com isso ainda é complicado para a maioria dos políticos.

Os políticos precisam ter consciência que ele não é querido pelo povo, que não confia em seus informes e que os observa sempre com desconfiança. E no transcorrer do mandato isso vai piorando, na medida em que o gestor não mostra o que está fazendo e não explica os motivos de não estar fazendo tudo que prometeu.

Essa comunicação precisa ser eficiente, inclusive para que os contribuintes saibam que devem e que esses débitos podem ser pagos por meio de parcelamento e com os descontos das campanhas de regularização.

Inclusive deve ser alertado, nos informe, que o não pagamento acarreta aumento do valor da dívida e maiores gastos.

Por fim, imprescindível destacar que conceder treinamento às equipes é primordial para a melhoria da arrecadação.


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